Alunos da UnB estagiários na NASA

      

Construir robôs, desenvolver pesquisas, montar máquinas, participar de projetos importantes ou simplesmente viajar pelo espaço. Esses são apenas alguns exemplos dos objetivos de jovens brasileiros que sonham em ser cientistas. Para dois estudantes da Universidade de Brasília (UnB), o sonho ficou mais perto.

Diego Vioti e Flávio Dias, ambos de 23 anos, tiveram a oportunidade de trabalhar por um mês na Agência Espacial Americana (Nasa). Lá, eles dividiram ideias, participaram de projetos, trocaram contatos e não ficaram apenas na teoria, colocando o conhecimento em prática.
Foram 30 dias de trabalho, no mês passado, em um laboratório no Nasa Engineering Boot Camp, um programa criado pelo cientista norte-americano Michael Comberiate para receber estudantes de ciência de várias graduações — do ensino médio ao mestrado. No Centro de Voos Espaciais Goddard, em Greenbalt, Maryland, os dois brasilienses participaram de projetos com jovens de 50 países. Além deles, outros dois brasileiros fizeram parte da turma: a estudante de engenharia de software da Universidade do Vale do Rio Doce (Univale) Janynne Gomes e o estudante de mestrado do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Thomaz Soriano.
Acostumado a trabalhar em projetos de desenvolvimento de carros de corrida na oficina de engenharia mecânica da UnB, Flávio ajudou a construir outro tipo de veículo nos Estados Unidos. Ele participou do projeto Astrobot, um trator que deve fazer o mapeamento a laser de terrenos cobertos de gelo na Groelândia. “É um protótipo produzido pela Universidade do Alasca e lá no laboratório continuamos a trabalhar nele. Ele anda, perfura a neve e consegue pegar amostras de solo e de água. Ele também pode ficar até três meses percorrendo terrenos perigosos e não precisa de combustível, porque usa energia solar”, conta o estudante.
Enquanto Flávio participava do desenvolvimento do veículo, Diego trabalhava em um projeto de dois robôs: o Nanook e o Moondog. “No primeiro, ficamos encarregados de fazer a interface de um laser, que faz a leitura das distâncias de toda a esfera em torno do robô. Com essa informação, é criada uma imagem em três dimensões para reconhecimento do ambiente explorado e do posicionamento de outros robôs. No segundo, utilizamos microcontroladores para a comunicação do robô com um satélite”, conta o jovem.
Desde pequeno, Diego se interessa por ciência e tecnologia. “Brincava muito de Lego e adorava desmontar carrinhos à pilha e coisas do gênero. Na escola, também gostava mais de matemática e física. Então, juntando o útil ao agradável, acabei na engenharia”, conta. Ele é aluno do 9º semestre de engenharia de teleinformática da Universidade Federal do Ceará (UFC) e, no momento, participa do programa de mobilidade acadêmica no Departamento de Engenharia Elétrica da UnB.
Troca de experiências
Durante o período no centro da Nasa, os brasileiros tiveram a oportunidade de conhecer tanto o trabalho dos engenheiros da agência espacial como de empresas que desenvolvem pesquisas na área de ciência. “Fomos também em diversas universidades, conhecemos os programas de estudos de cada uma e outras pessoas do Brasil que trabalham lá”, conta Flávio. O mais interessante, no entanto, foi poder colocar a mão na massa. “Acho que o objetivo da engenharia é esse, você faz a pesquisa e põe ela em prática. Fiquei impressionado com o estágio, é mesmo para a pessoa aprender. Se você não sabe, os monitores explicam e apontam o melhor jeito de fazer a atividade dar certo”, diz.
A experiência de trabalhar na maior agência espacial do mundo garantiu a oportunidade de descobrir mais formas de trabalho e interação. “Acredito que o maior aprendizado foi relacionado à troca de experiências com os outros estudantes do grupo. Eram aproximadamente 50 pessoas de diferentes partes do mundo, de diferentes áreas técnicas, cada uma com suas próprias experiências, todas trabalhando em conjunto, com objetivos comuns”, afirma Diego.
Os dois estudantes ficaram sabendo do estágio depois de receberem um e-mail de colegas. Essa foi a primeira vez que alunos brasileiros participaram do projeto, sendo que o Ministério de Ciência e Tecnologia custeou as passagens e as hospedagens dos quatro selecionados. Flávio e Diego já se preparam para voltar no ano que vem. “Mandamos os nossos currículos e fomos aprovados. Como foi a primeira viagem, enquanto os outros estudantes ficaram por 10 semanas, nós, brasileiros, ficamos apenas quatro, mas ainda deu para aproveitar e pudemos contribuir bastante”, conta o estudante de engenharia elétrica.
Quem recebeu os brasileiros no Boot Camp foi o cientista mineiro e diretor do Centro de Informática da Universidade de Loyola em Maryland, Marco Figueiredo. Formado em engenharia elétrica, ele trabalhou durante anos na Nasa, onde projetou um supercomputador para satélites aos 28 anos. Atualmente, ele também coordena um projeto de acesso à internet para comunidades rurais em Minas Gerais. “Precisamos incentivar o interesse dos jovens brasileiros por uma carreira aeroespacial. Fiz uma palestra no começo do ano em São Paulo e o que mais chamou atenção dos estudantes foi a colonização do espaço. É essa a linha que a ciência vai seguir daqui para frente”, acredita.
Futuro
Para Flávio, o futuro está mesmo perto do espaço, qualquer que seja o lugar onde ele vá trabalhar. “Meu sonho, quando era pequeno, era ser piloto de avião, então sempre quis mexer com isso. Fiz um curso de mecânica de aeronave e pretendo trilhar meu caminho nessa área. Sonho com qualquer coisa que me dê oportunidade na aerodinâmica, seja na Nasa ou na Agência Espacial Brasileira (AEB)”, comenta o futuro engenheiro.
Para Diego, um estágio como esse pode abrir muitas portas para um jovem cientista. “Além da experiência e do conhecimento, ele também pode proporcionar boas oportunidades. Já estou estagiando e participando de projetos na área há mais de três anos aqui no Brasil e ouve-se muito que há cada vez mais investimento por aqui. Meu principal interesse é trabalhar com hardware e, atualmente, tecnologia espacial. Mas existem várias áreas interessantes, e as oportunidades que surgem sempre vão mudando nossos rumos”, conclui o estudante.
O conselho de Marco Figueiredo para os estudantes é nunca perder o objetivo e sempre pensar além das possibilidades. “Quando você vir a Lua no céu, observe-a bem e imagine você lá, olhando para a Terra. Então imagine como seria a sua vida numa colônia lunar. Pense em todos os instrumentos necessários para sobreviver na Lua. E quem sabe um dia você não ajudará a construir as máquinas e os equipamentos que vão permitir a criação de uma colônia humana lá. O futuro da humanidade está no espaço. Sonhe com isso e faça esse sonho virar realidade”, sugere Marco.
1 – Pioneiro
O Goddard foi o primeiro centro de voos espaciais criado pela Nasa. Inaugurado em maio de 1959, recebeu o nome do cientista Robert Goddard, pioneiro na construção de foguetes nos Estados Unidos. Uma de suas frases mais famosas é lema do centro: “É difícil dizer o que é impossível, porque o sonho de ontem é a esperança de hoje e a realidade de amanhã”. Atualmente, o instituto coordena satélites, faz operação de redes de acompanhamento de voos espaciais da Nasa e tem programas de ensino para professores e estudantes.

Para saber mais
Como escolher a área de estudo

Um cientista pode ser um especialista em diversas áreas. Se você tem vontade de saber mais a respeito dos fundamentos do conhecimento humano sobre a natureza, pode optar pelas ciências básicas, como a física e a química. Se tem mais interesse em saber como funcionam o avião, o automóvel, o rádio e a televisão e gostaria de melhorar esses aparelhos, então procure alguma especialidade de engenharia. Se sua preocupação é com a saúde e o mecanismo de doenças, escolha a área biomédica. Se sua curiosidade maior é saber como funcionam os organismos, então procure a biologia. E se o seu interesse é pela exploração da terra e pela formação de alimentos, pode se realizar nas ciências agrárias. Durante a faculdade, procure participar de projetos e fazer estágios em áreas de seu interesse. Quanto mais conhecimento e experiência, melhor. Também tire dúvidas com professores e faça contato com cientistas que você admira.
Fonte: ProfiCiência

Extraído de: Correio Brasiliense

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